1. Abertura
Por que a Bíblia se divide em Antigo e Novo Testamento, e não em Antigo e Novo Livro?
“Testamento”, aí, não é o documento de herança do cartório. É a palavra aliança: antiga aliança e nova aliança. Então a pergunta é esta: como essas duas partes se ligam? São dois livros de dois planos de Deus, ou uma só história?
Pacto = aliança = testamento
Um detalhe de vocabulário evita confusão. A Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster, na tradução usada pela IPB, dizem “pacto”; muitas Bíblias e livros dizem “aliança”. É a mesma palavra: berit, no hebraico, e diathēkē, no grego. Quem procurar “aliança” na Confissão não vai encontrar: o capítulo VII se chama “Do pacto de Deus com o homem”.
2. Gênesis 15: a noite de Abrão
O que era uma aliança
Aliança não era palavra religiosa inventada para a Bíblia. No mundo de Abrão, uma berit era um compromisso solene, selado por juramento, e todo mundo sabia o que isso significava.
- Podia unir iguais, como Jacó e Labão (Gn 31.44-54) ou Davi e Jônatas.
- Podia unir um rei maior a um rei menor, que jurava lealdade a ele.
- O próprio Abrão tinha aliados: os amorreus de Gênesis 14.13 são, literalmente, “donos de aliança” com ele.
Não era costume de um povo só. Há tratados assim registrados ao longo de quase dois mil anos, da Mesopotâmia à Assíria. Neles, o juramento valia mais que o documento: o texto escrito registrava os termos, mas o que obrigava era o juramento feito diante dos deuses.
O casamento ajuda a entender. Ele é uma aliança feita em público, diante das pessoas mais próximas e, no casamento religioso, diante de Deus. O anel se chama “aliança” porque simboliza a união; a certidão oficializa o casamento diante do Estado. Mas o que firma a aliança é o juramento diante das testemunhas. Nem o anel nem a certidão dizem “na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe”.
Quando Deus fala com Abrão em aliança, não inventa uma palavra nova. Usa uma que todos conheciam. E em Gênesis 15 faz com ela algo que ninguém esperava.
A promessa
Abrão não é o começo da promessa. Desde Gênesis 3.15, logo depois da queda, Deus havia prometido um descendente da mulher que esmagaria a serpente. Em Gênesis 15 essa promessa se concentra numa família e ganha a forma de aliança, com rito e juramento.
O capítulo vem logo depois da batalha de Gênesis 14. Abrão derrotou quatro reis e recusou o despojo, e agora teme represália. Deus lhe diz: não temas, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. É a linguagem de um rei ao soldado fiel: galardão era o pagamento de quem lutou numa campanha. Abrão recusou o saque do rei de Sodoma; recebe o próprio Deus.
“Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça.”
Gênesis 15.5-6, Almeida Revista e Atualizada
O rito
Abrão é velho, não tem filhos e pergunta como saberá que a promessa vai se cumprir. Deus responde com um rito que Abrão entenderia.
“Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha, uma cabra e um cordeiro, cada qual de três anos, uma rola e um pombinho. Ele, tomando todos estes animais, partiu-os pelo meio e lhes pôs em ordem as metades, umas defronte das outras […]. E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Naquele mesmo dia, fez o Senhor aliança com Abrão.”
Gênesis 15.9-10, 17-18, Almeida Revista e Atualizada
No hebraico, fazer uma aliança é literalmente cortar uma aliança. Abrão veio de Ur e de Harã, e naquele mundo um animal morto selava um juramento. O recado era sempre o mesmo: assim aconteça a quem quebrar a palavra. Um tratado assírio diz isso com todas as letras:
“Esta cabeça não é a cabeça de um cordeiro; é a cabeça de Mati’lu [seus filhos, oficiais e o povo]. Se Mati’lu pecar contra este tratado, que então, justamente como a cabeça deste cordeiro recém-nascido é arrancada, […] a cabeça de Mati’lu seja arrancada, e de seus filhos.”
Tratado assírio (século VIII a.C.), citado por Bruce K. Waltke, Gênesis, comentário a Gn 15.17
Repare no que esse tratado tem em comum com a aliança de Abrão: um homem que representa um povo e a sua descendência; animais que mostram o que acontecerá se a aliança for quebrada; e consequências que alcançam outros além de quem jurou.
Por isso Abrão não precisou de explicação. Deus não lhe diz o que fazer com os animais: ele os parte e os põe em ordem, provavelmente porque a própria lista já anunciava que alguém ia cortar uma aliança. A tocha e o fogareiro também falavam a sua linguagem, porque no mundo de onde ele veio eram objetos ligados à presença divina. Deus usou formas que Abrão conhecia para se revelar. Jeremias 34 confirma, dentro de Israel, o sentido de passar entre as metades: quem passava dizia com o próprio corpo “que eu fique como estes animais se eu quebrar a minha palavra”.
Só o fogo passa
O surpreendente é quem passa. Abrão não atravessa o corredor. Só o fogo, sinal da presença de Deus, passa entre os pedaços. Deus toma sobre si o peso da promessa.
E passar entre os pedaços era dizer “que eu fique como estes animais se eu quebrar a minha palavra”. Ao passar sozinho, Deus assume não só a responsabilidade de cumprir a aliança, mas também a maldição que ela trazia. Quem viria a quebrar a aliança era o homem; quem jurou levar o castigo foi Deus.
É difícil não pensar na cruz. No mesmo capítulo de Gálatas que vamos ler, Paulo diz:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).”
Gálatas 3.13, Almeida Revista e Atualizada
O Deus que passou entre os animais partidos é o mesmo que, feito homem, foi ferido e dilacerado na cruz. Aquela noite já anunciava o preço: o próprio Deus levaria a maldição da aliança.
“Aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado.”
O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos, p. 8
Três palavras dessa definição ajudam:
- Pacto: um compromisso solene, com juramento.
- Sangue: um compromisso de vida e morte.
- Soberanamente administrado: quem estabelece os termos é Deus, e não uma negociação entre iguais.
Em uma frase: aliança é o compromisso soberano e gracioso pelo qual Deus se une a um povo, com promessas e exigências, e jura cumpri-lo. Não é um contrato entre partes iguais: Deus toma a iniciativa, estabelece os termos e garante o cumprimento. A fé é exigida, mas é resposta, não moeda de troca.
Antes de qualquer lei
“Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça.”
Gênesis 15.6, Almeida Revista e Atualizada
Antes do rito, o versículo 6 diz que Abrão creu e isso lhe foi imputado para justiça. A ordem importa: a promessa e a fé vêm antes do rito, da circuncisão e da Lei. Paulo vai citar esse versículo.
3. Paulo lê Abraão
Os gálatas eram cristãos não judeus. Alguns mestres diziam que, para pertencer de verdade ao povo de Deus, eles precisavam se circuncidar e se colocar sob a Lei de Moisés. Paulo responde voltando a Gênesis.
“Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos.”
Gálatas 3.7-8, Almeida Revista e Atualizada
“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. […] E ao teu descendente, que é Cristo. E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa. […] E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.”
Gálatas 3.16-17, 29, Almeida Revista e Atualizada
(“Ab-rogar” quer dizer anular, revogar.)
Três afirmações de Paulo
- O evangelho já foi anunciado a Abraão. A bênção das nações pela fé não é plano B.
- A Lei, 430 anos depois, não anula a promessa. Para os gálatas, a palavra diathēkē soava primeiro como testamento: um documento lacrado e registrado, que outro posterior não podia alterar. Isso não quer dizer que a Lei fosse má: logo em seguida, Paulo diz que ela não é contrária às promessas de Deus (Gl 3.21).
- O descendente é Cristo, e quem é de Cristo é de Abraão. Quem está em Cristo entra na família de Abraão.
Paulo não trata Gênesis como história de outro povo. Ele lê Gênesis como a nossa história. Sem Gênesis 15, Gálatas 3 não se sustenta; mas é Gálatas que mostra o alcance daquela noite: o fogo que passou entre os pedaços apontava para o descendente que viria.
Chave 1 · Uma promessa, uma história.
4. Dois Adãos e uma aliança da graça
Se existe uma única promessa atravessando a Bíblia, precisamos ver onde ela começa e que problema ela resolve. Para isso, a Confissão de Westminster volta ao começo de tudo: Adão.
Dois representantes
| Adão | Cristo |
|---|---|
| Pacto de obras | Pacto da graça |
| Desobediência | Obediência |
| Condenação | Justificação que dá vida |
A Confissão ensina que o primeiro pacto com o homem foi um pacto de obras: a vida foi prometida a Adão e, nele, à sua descendência, sob a condição de obediência perfeita, com a morte como pena da desobediência (CFW VII.II). O Breve Catecismo o chama de pacto de vida (P. 12).
Mesmo antes da queda, a relação com Deus já era bondade dele, e não salário que a criatura pudesse exigir. A diferença é que, antes da queda, ainda não havia pecado a perdoar.
Adão não agiu só por si; agiu como representante. É como um chefe de Estado que assina um tratado: o compromisso vale para todo o país, inclusive para quem ainda nem nasceu. Quando Adão caiu, a humanidade caiu com ele.
Depois da queda, a Confissão fala de um segundo pacto, o pacto da graça, em que Deus oferece vida e salvação por Jesus Cristo, exigindo fé e prometendo o Espírito aos que estão ordenados para a vida, para dispô-los e habilitá-los a crer (CFW VII.III). Segundo na ordem da história, mas não improvisado: ele executa um propósito eterno de Deus.
“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”
Romanos 5.18-19, Almeida Revista e Atualizada
Na história da salvação há dois representantes: Adão, cuja desobediência nos alcançou, e Cristo, cuja obediência alcança todos os que estão nele. Cristo não apenas desfaz o que Adão fez; ele faz o que Adão deixou de fazer.
Chave 3 · Dois representantes.
Por que falar do pacto de obras?
Pode parecer estranho falar de um pacto de obras numa aula sobre a graça. Mas sem ele não dá para entender o pacto da graça.
Antes, uma precisão. Na Confissão, são dois pactos distintos, e o pacto de obras não é uma etapa do pacto da graça. O que os une é o capítulo VII, “Do pacto de Deus com o homem”. A distância entre Deus e a criatura é tão grande que o homem nunca poderia desfrutar de Deus se ele não se dispusesse a descer até ele, e Deus quis fazer isso por meio de pacto (CFW VII.I). Os dois pactos nascem da mesma bondade.
O pacto de obras ajuda a entender o pacto da graça de três maneiras:
- Mostra o problema. Adão, como representante, quebrou o pacto, e a condenação alcançou todos os que ele representava. É dessa situação que o pacto da graça nos tira.
- Mostra o que Cristo fez. A exigência de obediência perfeita não foi jogada fora: foi cumprida. Cristo obedeceu onde Adão desobedeceu e levou a pena que a desobediência merecia (Rm 5.19; Gl 3.13). Deus justifica os pecadores imputando a eles a obediência e a satisfação de Cristo (CFW XI.I). A obediência que salva é a dele, não a nossa.
- Mostra por que a salvação só pode ser de graça. Depois da queda, o homem ficou incapaz de alcançar a vida por aquele pacto, e por isso Deus fez um segundo (CFW VII.III). Se a vida viesse, teria de vir de graça.
Em uma frase: o pacto de obras não faz parte do pacto da graça, mas o pacto da graça é a resposta de Deus ao pacto de obras quebrado. Cristo cumpre por nós as duas coisas: a obediência que o primeiro pacto pedia e a maldição que ele ameaçava.
Deus mudou de plano depois de Adão?
Não. Logo depois da queda, antes de tirar Adão do jardim, Deus já anuncia o descendente da mulher que esmagaria a serpente (Gn 3.15). E Paulo diz que a graça nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2Tm 1.9).
A Confissão diz o mesmo: aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus para ser o Mediador (CFW VIII.I). O Breve Catecismo diz que Deus, “desde toda a eternidade”, entrou num pacto de graça (P. 20). A queda não pegou Deus de surpresa. O pacto de obras não foi um plano que fracassou: Deus permitiu a queda segundo o seu sábio e santo conselho (CFW VI.I). O decreto de Deus é tema da Aula 3. E Abraão também não é o começo: desde o princípio do mundo, os benefícios da obra de Cristo foram comunicados aos eleitos nas promessas em que ele foi revelado como a semente da mulher (CFW VIII.VI). Gênesis 15 é essa promessa ganhando juramento.
Uma aliança, várias administrações
| Momento | Promessa | Texto | Sinal |
|---|---|---|---|
| Queda | O descendente da mulher | Gn 3.15 | — |
| Noé | Preservar a criação | Gn 9.9-13 | Arco-íris |
| Abraão | Ser o teu Deus e da tua descendência | Gn 17.7 | Circuncisão |
| Moisés | Serei vosso Deus | Êx 6.7 | Páscoa, sacrifícios |
| Davi | Um rei para sempre | 2Sm 7.12-16 | O trono |
| Nova aliança | Serei o seu Deus | Jr 31.33 | Batismo e Ceia |
Repare no refrão que se repete na coluna da promessa: “Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.” A Confissão resume essa história em duas administrações, Lei e Evangelho (CFW VII.V-VI); a tabela mostra os passos dentro delas.
“Não há, pois, dois pactos de graça diferentes em substância mas um e o mesmo sob várias dispensações.”
Confissão de Fé de Westminster VII.VI
Substância e administração
| Aspecto | O que inclui |
|---|---|
| Substância | Cristo, a graça, a fé, “serei o vosso Deus” |
| Antes de Cristo | Promessas, sacrifícios, circuncisão, cordeiro pascal |
| Depois de Cristo | Pregação da Palavra, batismo e Ceia |
Substância é o que a aliança é: Cristo, a graça, a fé, a promessa “serei o vosso Deus”. Dispensação, ou administração, é o modo como ela é entregue. A palavra da Confissão não tem nada a ver com o dispensacionalismo.
No Antigo Testamento, a aliança foi administrada por promessas, profecias, sacrifícios, circuncisão e cordeiro pascal, tudo apontando para Cristo que viria (CFW VII.V). No Novo, pela pregação da Palavra, pelo batismo e pela Ceia: menos numerosos e mais simples, mas com mais plenitude (CFW VII.VI).
Chave 2 · Sombra e substância. A sombra não era mentira; era a forma da coisa verdadeira projetada antes de ela chegar. Quando Cristo veio, a sombra deu lugar ao corpo.
5. Não é novidade do século XVI
Alguém pode suspeitar que isso é uma construção de teólogos do século XVII. Vale olhar de onde vem essa maneira de ler.
“A aliança com todos os Patriarcas tanto não difere em nada da nossa, quanto à substância e à realidade, que elas são absolutamente uma e a mesma, ainda que variem quanto à administração.”
João Calvino, A Instituição da Religião Cristã II.10.2
Calvino escreve contra quem tratava Israel como um povo que só esperava bens terrenos. Um século depois, a Assembleia de Westminster registra a mesma distinção quase com as mesmas palavras: substância e administração. A frase que lemos na Confissão tem árvore genealógica.
A história de como a pergunta sobre o batismo de crianças obrigou os reformadores a explicar essa unidade da aliança, em Zurique, em 1525, é tema da Aula 4.
6. Três chaves e o que muda
Três chaves para ler a Bíblia
- Uma promessa, uma história.
- Sombra e substância.
- Dois representantes: Adão e Cristo.
O que muda
- O Antigo Testamento é livro cristão. Jesus, no caminho de Emaús, começou por Moisés e pelos Profetas para explicar o que dizia respeito a ele (Lc 24.27). Ler o Antigo Testamento sem Cristo é ler a sombra sem o corpo; ler o Novo sem o Antigo é ver o corpo sem saber o que a sombra prometia.
- Ninguém jamais foi salvo de outro jeito. Abrão creu, e isso lhe foi imputado para justiça. Não houve um tempo de salvação pela Lei e outro pela graça; sempre foi graça mediante a fé no Messias, prometido ou manifestado. A Confissão diz que a justificação dos crentes do Antigo Testamento era “a mesma justificação dos crentes sob o Novo Testamento” (CFW XI.VI).
O que decorre disso
A aliança não é um tema entre outros. Muito do que a igreja presbiteriana crê e pratica decorre dela. Aqui, só nomeamos três pontos; cada um terá a sua aula.
- Os filhos dos crentes estão na aliança. A promessa é “para ser o teu Deus e da tua descendência” (Gn 17.7) e “para vós outros é a promessa, para vossos filhos” (At 2.39); por isso recebem o sinal. Tema da Aula 4.
- As promessas pertencem aos que estão em Cristo. Herdeiros de Abraão são os que são de Cristo, judeus e gentios (Gl 3.29); a promessa se recebe pela fé, não pela descendência física, e a igreja visível já não se restringe a uma nação (CFW XXV.II). Temas das Aulas 9 e 18.
- Deus é soberano na aliança e na salvação. Ele toma a iniciativa, estabelece os termos e dá o Espírito aos eleitos para produzir a fé que pede (CFW VII.III; Catecismo Maior P. 32). Tema da Aula 3.
Dizer que as promessas pertencem aos que estão em Cristo não autoriza desprezo pelo povo judeu. Paulo ama o seu povo e fala do futuro de Israel em Romanos 11, e o Catecismo Maior ora para que “os judeus [sejam] chamados” (P. 191).
Duas maneiras de estar na aliança
Sempre houve duas maneiras de estar na aliança:
- Por fora: a família, o sinal, a igreja.
- Por dentro: a fé na promessa.
Pode-se estar ligado à aliança por fora sem possuir por dentro aquilo que ela promete. Paulo fala de filhos de Abraão que não são filhos de Abraão (Rm 9.6-8). O Catecismo Maior diz que nem todos os que pertencem à igreja visível serão salvos, mas os que são membros verdadeiros da igreja invisível (P. 61).
Muitos de nós nascemos dentro desta aliança. Isso é um privilégio real, não um detalhe. Mas a promessa foi feita para ser crida. Por isso a pergunta que fica é pessoal:
A minha fé é só herança recebida, ou é herança assumida?
Leitura final
“E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.”
Gálatas 3.29, Almeida Revista e Atualizada
Para ir além
Três livros sobre a aliança, do mais curto ao mais longo:
- John Murray, O Pacto da Graça: um estudo bíblico-teológico (Os Puritanos). Cerca de 50 páginas.
- O. Palmer Robertson, O Cristo dos Pactos (Cultura Cristã). Cerca de 240 páginas.
- Guy Prentiss Waters, J. Nicholas Reid e John R. Muether (org.), A Teologia da Aliança: perspectivas bíblica, teológica e histórica (Cultura Cristã). Cerca de 850 páginas.
Próxima aula
Se a Bíblia se lê como unidade, como a lemos com fidelidade, e por que a igreja confessa essa leitura? Esse é o tema da Aula 2: Escritura e confissão.
A Bíblia não é uma coleção de alianças soltas. É uma única promessa de Deus, jurada a Abraão e cumprida em Cristo: eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo.