Glossário
Administração da aliança
Também: dispensação, substância e administração, sombra e substância
Modo como a única aliança da graça é entregue em cada época. A substância é a mesma (Cristo, a graça, a fé, a promessa "serei o vosso Deus"); a administração muda, de promessas, sacrifícios e circuncisão para a pregação, o batismo e a Ceia.
A Confissão de Fé de Westminster distingue a substância da aliança, o que ela é, da sua administração ou dispensação, o modo como é entregue ao povo de Deus.
- Antes de Cristo: promessas, profecias, sacrifícios, circuncisão e cordeiro pascal, tudo apontando para Cristo que viria (CFW VII.V).
- Depois de Cristo: pregação da Palavra, batismo e Ceia, menos numerosos e mais simples, mas com mais plenitude (CFW VII.VI).
Por isso a Confissão conclui que não há dois pactos da graça diferentes em substância, “mas um e o mesmo sob várias dispensações” (CFW VII.VI). Ela resume a história em duas administrações, Lei e Evangelho. A Aula 1 mostra os passos dentro delas: a queda, Noé, Abraão, Moisés, Davi e a nova aliança, com o mesmo refrão, “eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”.
Sombra e substância é a segunda chave de leitura da Aula 1. A imagem é bíblica: as festas e cerimônias eram “sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Colossenses 2.17), e “a lei tem sombra dos bens vindouros” (Hebreus 10.1). A sombra não era mentira: era a forma da coisa verdadeira projetada antes de ela chegar. Quando Cristo veio, a sombra deu lugar ao corpo.
A distinção não foi inventada em Westminster. Calvino já dizia que a aliança com os patriarcas é “absolutamente uma e a mesma” que a nossa quanto à substância, “ainda que variem quanto à administração” (Institutas II.10.2).
Não confundir com dispensacionalismo. A palavra “dispensação”, na Confissão, quer dizer apenas administração, e não tem relação com esse sistema de interpretação.