Glossário
Aliança
Também: pacto, teologia da aliança, teologia do pacto, teologia federal
Compromisso gracioso e soberano pelo qual Deus se une a um povo, com promessas e exigências. Na tradição reformada, é a chave para ler a Bíblia como uma unidade.
A aliança não é um acordo entre partes iguais. É Deus quem toma a iniciativa, se compromete livremente com suas promessas e chama seu povo a responder com fé e obediência.
A própria linguagem da Bíblia mostra isso:
- quem estabelece, dá e se lembra da aliança é sempre Deus;
- ao homem cabe guardá-la, ou então quebrá-la e esquecê-la;
- a ordem é sempre a mesma: Deus primeiro abençoa e promete, e depois chama à obediência. Abrão creu e isso lhe foi imputado para justiça antes da circuncisão e da Lei (Gênesis 15.6).
“Pacto” e “aliança” traduzem a mesma palavra hebraica, berit. No Novo Testamento, a palavra grega diathēkē também pode significar “testamento”, e as duas ideias aparecem juntas, por exemplo, em Hebreus 9. Por isso Antigo e Novo Testamento querem dizer antiga e nova aliança. O nome “teologia federal” vem do latim foedus, “aliança”.
No mundo de Abraão, uma aliança era um compromisso solene selado por juramento. Em hebraico, fazer uma aliança é literalmente “cortar uma aliança”: animais partidos ao meio diziam “assim aconteça a quem quebrar a palavra”. Em Gênesis 15, porém, só o fogo, sinal da presença de Deus, passa entre os pedaços. Abrão não passa: Deus jura sozinho e toma sobre si o peso da promessa e a maldição da aliança. A Aula 1 liga essa cena à cruz, onde Cristo se fez “maldição em nosso lugar” (Gálatas 3.13).
A Bíblia fala de alianças com Noé, Abraão, Israel no Sinai e Davi, e promete uma nova aliança, em que Deus escreve a sua lei no coração do povo (Jeremias 31.31-34). Na Ceia, Jesus retoma o “sangue da aliança” do Sinai (Êxodo 24.8) e diz: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (Lucas 22.20). Hebreus chama Cristo de Mediador da nova aliança (Hebreus 8.6; 9.15). Para a Confissão de Fé de Westminster, essas alianças não são planos diferentes. Depois do pacto de obras com Adão, há um só pacto da graça, “um e o mesmo sob várias dispensações” (CFW VII.VI), isto é, sob várias administrações.
A Confissão dedica um capítulo inteiro ao tema (capítulo VII, “Do Pacto de Deus com o Homem”). Na tradição reformada, a aliança organiza a leitura da Bíblia inteira e ajuda a explicar outras doutrinas, como o batismo. Esse destaque começou em Zurique, no debate sobre o batismo de crianças, tema da Aula 4.